“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10, 10)

O Sínodo sobre a Sinodalidade identificou o que fere a dignidade da vida como nossos pecados, entre eles o pecado contra a paz, as crianças, as mulheres e os pobres. Ao fazer a experiência de sermos amados incondicionalmente, sentindo a misericórdia de Deus, a dureza dos corações é superada e abrimo-nos à comunhão. Assim, o modo sinodal de viver as relações – povo que caminha junto, acolhe, escuta, dialoga – se torna uma forma de testemunho à sociedade e responde à necessidade humana de ser acolhido e de se sentir reconhecido numa comunidade concreta.
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) acolhem e reforçam este direcionamento, lembrando que a evangélica opção preferencial pelos pobres, considerando as várias acepções de pobreza, não nasce da filantropia, nem de uma opção ideológica, mas é própria da fé em Cristo. O amor cristão nasce do próprio coração de Deus, que se inclina primeiro aos que mais necessitam de sua misericórdia, e move a Igreja a assumir a causa dos frágeis, dos simples e dos desprovidos como expressão da caridade divina. A evangélica opção preferencial pelos pobres, então, deve orientar toda a vida e a ação da Igreja, não apenas em atitudes assistenciais, mas na conversão permanente dos corações, na busca pela transformação das estruturas injustas e no compromisso integral com a dignidade humana, para que nos pobres, continuemos a ouvir aquilo que o próprio Deus ainda tem a nos dizer.
Na mensagem para o X Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado no dia 15 de novembro, o Papa Leão XIV recorda São Francisco de Assis que, ao chegar a Roma em peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, ele se compadeceu dos mendigos. Para compreender e experimentar o seu sofrimento, tirou as próprias vestes e trocou-as pelas roupas esfarrapadas de um deles, sentando-se a pedir esmola e passando o dia inteiro no meio dos pobres com alegria de espírito. Assim, o papa nos motiva a testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles.
Que Deus nos ajude a escutar e aprender com os pobres, a reconhecer que cada um é um dom para o outro.