O secretário da Cáritas Arquidiocesana de Campinas, padre José Arlindo de Nadai, presta uma homenagem em vídeo ao bispo emérito de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, morto dia 22 de setembro.
Acompanhe ainda um trecho da homilia do padre Nadai durante a Missa Exequial, realizada no dia 25 de Setembro, presidida por Dom João Inácio Müller e concelebrada por diversos bispos, padres e diáconos — entre eles o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e o Bispo de Ipameri (GO), onde Dom Gilberto iniciou seu episcopado.
Tudo é graça, senhor, na minha vida
Quis o Senhor em sua Providência Divina que D. Gilberto exercesse o Ministério Episcopal como Pastor, junto a esta Igreja de Campinas, por longos anos – 1976 – 2004.
Foram 28 anos e mais 21 como Bispo Emérito. Quase 50 anos, junto de nós, como irmão, amigo e companheiro. Vida longa é bênção. Vida longa e fecunda é graça!
Seus pais: Salustino Lopes e Alice Pereira. Uma família de 6 filhos.
Natural de Santaluz, Bahia, nascido no dia 4 de fevereiro de 1927.
Idade: 98 anos e 6 meses de vida.
Ciências Humanas, com ênfase em Letras, Gilberto estudou no Seminário de Petrolina, junto à residência episcopal de D. Idílio José Soares, do Presbitério de Campinas.
No Seminário N. Sra. da Graça, vetusto casarão ladeado de palmeiras seculares, em Olinda, fez os cursos de Filosofia e Teologia.
Durante esse longo período de formação, Gilberto teve como mestre, na condição de reitor e professor, o padre Luís do Amaral Mousinho, figura marcante e significativa em sua vida, como reconhece, agradecido.
Muito jovem, apenas com 22 anos, foi ordenado presbítero na Catedral de Petrolina por D. Avelar Brandão Vilela no dia 4 de dezembro de 1949. Portanto, são 76 anos de padre!
A primeira nomeação do neo-sacerdote, foi para a Catedral de Petrolina.
Mais tarde, a convite de D. Luís do Amaral Mousinho, Pe. Gilberto transferiu-se para a Diocese de Ribeirão Preto, em 1955, onde trabalhou na Catedral e como Reitor do Seminário “Maria Imaculada”, Brodosqui.
Pe. Gilberto sustentou uma coluna diária no jornal diocesano – Diário de Notícias de Ribeirão Preto.
Pe. Gilberto não tinha ainda 40 anos de idade quando foi nomeado 1º. Bispo de Ipameri, Goiás, em 1966, com o desafio de organizar a Igreja particular naquele território. Sempre se referia com muito carinho à sua primeira Diocese, Ipameri.
Desde que ouviu o primeiro chamado vocacional, foi discípulo fiel de Jesus, seguindo seus passos, convivendo com Ele e procurando viver como Ele!. Daí o lema de toda sua vida, de padre e de bispo: “Anunciar o Mistério de Cristo.”
No dia 24 de dezembro de 1975, o Papa Paulo VI, nomeou D. Gilberto Arcebispo Coadjutor de D. Antonio Maria Alves de Siqueira. Nesse período foi auxiliar zeloso e fraterno de D. Antonio. Procurou visitar e conhecer as paróquias, comunidades e outros organismos da Arquidiocese. Em fevereiro de 1982, tornou-se Arcebispo Metropolitano, de Campinas, por nomeação do Papa João Paulo II.
Sobre essa nova Missão, D. Gilberto , escreveu:
Campinas cosmopolita!
A quem te adotas, ensinas
Uma história tão bonita
A gerações peregrinas.
Aqui mudou-se o caminho
No modo de trabalhar
Já não poderia sozinho
Sem com outros avançar.
Conviver com sacerdotes
Na graça sacramental
Com leigos e com seus dotes
No trabalho pastoral
Desde o início de seu pastoreio nesta Arquidiocese, D. Gilberto assumiu e incentivou a Metodologia de planejamento Participativo, na elaboração dos planos de Pastoral Orgânica, à luz do Concílio Vaticano II, das Diretrizes das Conferências Eclesiais Latino-Americanas e da CNBB, a partir da realidade local e respeitando a História centenária desta Igreja.
Esses planos sempre tiveram como projetos pastorais: a Formação, a Missão, as Comunidades Eclesiais de Base entre outros.
Os planos assumiam o Objetivo geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Evangelizar anunciando Jesus Cristo… à luz da opção preferencial pelos pobres e participar na construção de uma sociedade justa, sinal do Reino. Incentivou e apoiou as Pastorais Sociais e a Cáritas Arquidiocesana, confirmando e participando de seus projetos. Esta caminhada pastoral foi alimentada pelo Pão da Eucaristia e iluminada pela luz da Palavra do Senhor.
Nesta perspectiva, a Revisão Ampla, através de Assembleias do povo de Deus – a modo de Sínodo – procurou respostas pastorais e evangelizadoras para os novos desafios, da complexidade do mundo urbano em rápidas e profundas transformações sociais, culturais e religiosas, numa mudança de época.
A formação dos padres, dos agentes de pastoral e dos cristãos leigos e leigas foi prioridade de nosso Bispo. Construiu os Seminários de Teologia, Filosofia e Propedêutico. E a primeira “Casa do Padre” para acolher Presbíteros idosos e enfermos. Incentivou a criação da Faculdade de Teologia, o curso de Ciências Religiosas e o Instituto de Pastoral.
Criou novas paróquias, ordenou muitos padres, diáconos e alguns bispos.
Levou avante a criação da Diocese de Amparo (1997) que integra a Província Eclesiástica de Campinas.
Verdadeiro Kairós para a Igreja de Campinas, foi o 14º. Congresso Eucarístico Nacional – Eucaristia, fonte de missão e vida solidária, – para cuja realização D. Gilberto canalizou muita energia e liderança. “Venham, venham todos para a Ceia do Senhor…”
Seguramente podemos dizer que, como Grão-Chanceler D. Gilberto empenhou-se na refundação da PUC-Campinas, sonhando com uma formação integral, humana profissional e ética de seus alunos. O Hospital Celso Pierro, PUC-Campinas é hoje uma referência de excelência nesta cidade e na região.
D. Gilberto teve sempre diálogo respeitoso, colaborativo e, às vezes, de crítica construtiva com as autoridades públicas na promoção do bem comum e defesa das populações socialmente vulneráveis.
D. Gilberto desempenhou ofícios de responsabilidade na Cúria Romana – Dicastério para a Educação Católica.
No Celam foi membro da Comissão de Ação Social e na CNBB, responsável pelas Pastorais Sociais. Participou da Conferência Latino-Americana de Puebla, México, 1978.
Nosso Pastor deixa-nos precioso legado; em ensinamentos escritos e publicados: Cartas Pastorais, pronunciamentos, homilias e pregações. Orações e Poesias. D. Gilberto foi grande comunicador; presença constante nas Redes Sociais; coluna semanal no “Diário do Povo” e programa diário na Rádio Cultura. Escritor e orador, sua palavra proclamada com alma, sentimento e emoção desde a cátedra desta Catedral ecoou forte e vibrante nas praças de nossa cidade: Arautos da Paz, Centro de Convivência e Estádios Esportivos. Palavra de mestre e profeta. Emoldurada por gestos largos e altivos, abraçando afetuosamente a multidão do Povo da fé.
Com certeza, D. Gilberto poderia dizer como Paulo Apóstolo escreveu aos Tessalonicenses (2,10) “Vós sois testemunhas e Deus também o é, de quão puro, justo e irrepreensível tem sido nosso modo de proceder para convosco, os fieis” o Povo da fé.
Enfim:
“Tudo é graça, Senhor, na minha vida.”
Eu te louvo, por teres revelado que teu Filho Jesus, é Jesus-Pobre, Ele é o Senhor Jesus ressuscitado”
Nós, povo da fé, cremos firmemente e confiantes esperamos que esse nosso irmão seja acolhido pelo Senhor Ressuscitado na comunhão dos santos, com o derradeiro e amoroso chamado:
“Vinde, benditos de meu Pai! Recebei a herança que Ele vos preparou… pois, eu estava com fome, com sede, era migrante, estava nu, doente e preso e vós me acolhestes e cuidastes de mim”(Cfr Mt 25,34)
Servo bom e fiel, filho querido de N. Sra. Imaculada Conceição, hoje em sua Páscoa definitiva, entra na comunhão plena do Mistério da SS. Trindade. Amém.
Autor – Padre José Arlindo de Nadai
Confira algumas fotos da cerimônia(fotos: Álvaro Jr.):













1 comentário
Ademir Bueno Martins · Setembro 26, 2025 às 5:26 pm
Brilhante homenagem póstuma do nosso querido Padre De Nadai a Dom Gilberto Pereira Lopes