“Onde há amor, não há espaço para preconceitos, para distâncias de segurança que nos afastam do próximo, nem para a lógica da exclusão que, infelizmente, vemos surgir até mesmo nos nacionalismos políticos”.

Papa Leão XIV

Caro Colaborador/Colaboradora,

O mês de setembro celebra dia 7 a independência política conquistada pelo Brasil em 1822. A data, apesar de ainda questionada por historiadores como marco da separação do Império Português, se tornou um símbolo da soberania brasileira e da libertação do julgo colonial. Nos dias de hoje e especialmente neste mês, cabe perguntar quais são as ameaças à liberdade e independência das pessoas que fazem do Brasil uma nação diversa e soberana, mas ainda uma pátria de excluídos. Não por acaso, o dia 7 marca também a marcha dos excluídos, um momento de questionar as amarras econômicas, sociais e políticas do nosso país, que afetam principalmente as pessoas mais vulneráveis.

O Papa Leão XIV incentiva a rejeitar a “lógica da exclusão”, que ele associa aos “nacionalismos políticos”. “Onde há amor, não há espaço para preconceitos, para distâncias de segurança que nos afastam do próximo, nem para a lógica da exclusão que, infelizmente, vemos surgir até mesmo nos nacionalismos políticos” — disse ele na Praça São Pedro, durante a homilia de Pentecostes, em junho deste ano. É, portanto, um alerta para a comemoração de datas que reacendem o sentimento nacionalista excludente, que visa o bem estar e o acesso a bens por parte de uma classe econômica já privilegiada e a imposição de suas reivindicações no âmbito político, como parte de um projeto de nação livre e soberana. Para quem?

Esta é a pergunta que a Cáritas propõe neste mês da independência. Em seus abrigos voltados às pessoas em situação de rua, a metodologia aplicada visa dar autonomia e independência, como pilares da ação humanizada que visa a dignidade. Todo cidadão(ã) do Brasil tem direito à educação, saúde e moradia, além de uma série de outras garantias estabelecidas na constituição. Não por acaso, entre os pilares da dignidade humana estão a certeza do lar (endereço fixo), da alimentação (pelo menos 3 vezes ao dia) e do sustento (emprego).

Seguindo os preceitos constitucionais e cristãos em mais de 30 anos de atuação em Campinas, comprova-se que a autonomia proposta aos homens e mulheres atendidos é o ponto de partida para a construção desses pilares essenciais à vida independente e soberana, longe das ruas. O tradicional “Grito dos Excluídos” em 7 de setembro também propõe o olhar urgente para as causas de quem ainda vive à margem, como um dia o Brasil viveu à margem das decisões da Coroa portuguesa.

Somos convidados a libertar da injustiça social os irmãs e as irmãs que pelas mais variadas causas ocupam as ruas para viver. “Encorajo vocês a não distinguir entre quem ajuda e quem é ajudado, entre quem parece doar e quem parece receber, entre quem se mostra pobre e quem

acredita ter algo a oferecer em tempo, habilidades ou auxílio”(Papa Leão XIV).

Que sempre possamos doar o melhor de nós a quem nos solicita e que as comemorações pela independência do Brasil nos tragam a certeza de que soberania e dignidade humana são valores indissociáveis.

Abraços fraternos,

Equipe de Coordenação,

Cáritas Arquidiocesana de Campinas


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