“Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31)

Mesmo com melhoras nos últimos anos, como sociedade brasileira, ainda temos muito a avançar em algumas questões relacionadas ao meio ambiente, como o tratamento do lixo, o combate ao desperdício de alimentos, a valorização de modelos alternativos de produção, o combate ao consumismo, o saneamento básico, as políticas públicas voltadas à prevenção na saúde e enfrentamento das mudanças climáticas e o investimento em educação ecológica e ambiental, nas comunidades, escolas e universidades.

Também é preciso considerar a necessidade de diminuir a marcha, de desacelerar nosso modelo de desenvolvimento que se concretiza em um ritmo de produção que a Casa Comum não dá conta de acompanhar. Vemos seus efeitos na própria pessoa humana, muitas vezes em situação de extremo cansaço e esgotamento, submetida a ritmos absurdos de produtividade. É preciso rever nosso modelo de progresso, redescobrir a dimensão transcendente da vida, a capacidade humana de contemplação e reafirmar a dimensão profunda do repouso.

O agir é consequência do ver e ouvir a realidade; o agir coletivo dependerá da atitude de escuta (Ver) e do discernimento dos apelos de Deus (Iluminar), em grupo de famílias, comunidades ou regiões. O agir é a intervenção da comunidade nos processos de transformação da realidade. Se para Deus nada é impossível, também acreditamos que algumas coisas se tornarão possíveis, pois fomos criados à imagem e semelhança do Criador.

Cientes de que as pequenas, mas conscientes, ações de cada pessoa têm uma grande importância e força de desencadear processos transformadores, somos convocados a: escolher alimentos saudáveis reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados, optar por forma de transporte mais sustentáveis, substituir os descartáveis por utensílios reutilizáveis, reduzir a produção de resíduos, destinar adequadamente os resíduos através da coleta seletiva e da separação correta do lixo, reduzir o desperdício de água entre outras ações. Atitudes e iniciativas sociais e no âmbito da boa política também precisam ser desenvolvidas. “O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor” (LS, 231). (CF 2025 – Texto Base: AGIR/PROPOR)

O amor e a misericórdia de Deus nos inspiram a sermos guardiões fiéis da criação, restaurando a convivência e o equilíbrio em nossa Casa Comum.


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